Além do jornalista, ficaram sob o poder dos guerrilheiros o produtor Tiago Bruniera e o cinegrafista Daniel Vicente, mantidos reféns por dois dias. O governo da Colômbia afirmou que as Farc não são mais as mesmas. O general do exército colombiano Mineiro Concheta mostrou-se surpreso com a medida dos guerrilheiros. “Eles ficaram apenas dois dias com os brasileiros e foram libertados sem pagamento de resgate. Nunca vi isso acontecer. Parece que queriam se livrar deles”, relatou.
Os oficiais que encontraram a equipe do SBT na mata localizaram o grupo com a ajuda de cachorros rastreadores. Os animais foram utilizados para o resgate e encontraram os brasileiros com facilidade. O coronel responsável pelo treinamento dos cães, Chefe Cripado, disse que foi mais fácil do que esperavam. “O local é como uma ilha. Não tem muita gente que consegue ficar naquele local por muito tempo em companhia de outros”, esclareceu.
A selva onde estava o repórter é uma área de comando das Farc conhecida como Blanca Limpia e é produtora de pasta de coca, matéria prima da cocaína.
Nuvem de mosca
Durante o sequestro, um estranho acontecimento gerou preocupação dos guerrilheiros. Uma nuvem de moscas brancas (Bemisia Argentifolii, espécie também conhecida como piolhos farinhentos) invadiu a região, provavelmente atraídos por algum cheiro incomum e passaram a destruir as plantações. O uso de inseticidas não surtiu efeito e a praga se dissipou poucas horas depois da libertação do grupo brasileiro.
A selva nunca mais será a mesma
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, não comentou o caso. A assessoria especial do governo descartou um resgate e publicou apenas uma nota onde disse que os brasileiros foram libertados pelos sequestradores em condições subumanas. “Parecia que eles tinham ficado dois anos em poder das FARC”, diz o documento.
O jornalista disse que não divulgou a notícia antes pois podia comprometer o desenvolvimento da reportagem, que foi filmada pelo cinegrafista e será exibida pelo programa do SBT.
Nota da redação: por conter muitas piadas internas, não sei se posso classificar esse texto como parte do conceito que criou o Novo Jornalismo do Absurdo

