Uma Puta Deputada!
Ela cursou sociologia na Universidade de São Paulo e tinha emprego em um escritório antes de começar na profissão. Largou tudo, brigou com a família, mas venceu e depois reconquistou o carinho de todos. Ela declara três amores: Homens, falar o que pensa e a liberdade de pensar diferente.
Se depender da militância, ela já está eleita. Franklin Jr., entusiasta da candidatura e eleitor convicto de Gabriela, frisa que a relação dele com a Gabriela é de longa data e não abre mão de montar a barraca em praça pública se for necessário para divulgar o nome da candidata. “Gabriela já fez muito por muitos homens. Se não fosse ela, vários relacionamentos não teriam sucesso e casamentos teriam acabado”, finaliza.
Gabriela Leite espera ter mais votos na zona sul da capital fluminense, região da classe média carioca. Mas o simpatizante Zé Lelé, que entrou de cabeça na campanha da candidata, acredita que ela terá grande penetração em todas as zonas. “A Gabi é tudo de bom. Não tem zona que ela não seja conhecida. Já começou na frente”, aposta.
Um dia, caminhando pelas ruas da cidade maravilhosa, a candidata Gabriela Leite se surpreendeu e deu risadas com uma faixa estendida por uma pessoa na rua. A mensagem dizia: “Já votei em vários filhos, agora vou de mãe mesmo”.
O slogan oficial da campanha: “Uma Puta Deputada”
Pela lei brasileira, prostituição não é crime, já que cada um faz o que quer com o corpo. Posto isso, Gabriela está tranquila com a Lei Ficha Limpa e não corre o risco de ter a sua candidatura cassada pela Justiça Eleitoral. "É crime para quem agencia putas, não quem pratica a profissão. E por falar em financiamento, a campanha dela conta com o nosso apoio", confessa o empresário paulista de uma casa de shows da região do aeroporto que prefere não se identificar mas que estuda reativar o glamour da Vila Mimosa, famoso ponto turístico da cidade maravilhosa.
A Federação Interseccional Pelos Direitos do Arco Iris declarou apoio à candidatura. "Todos e todas estão com ela. Se os gays tiverem a hombridade de votar em alguém com caráter, ela estará eleita", escreveu a entidade no editorial da publicação semanal da entidade.
Mas nem todos estão confortáveis com a candidatura de Gabriela Leite. Roberto Wellington Carlos, presidente da Associação pelo Direito de Queimar Livros, iniciou na Internet a campanha pelo Não Voto em Quem Tem Biografia Publicada. "É um absurdo a pessoa lançar um livro que conta a sua história e depois sai candidato a algum cargo. Isso é campanha antecipada", resume. Segundo ele, ninguém deveria votar em uma pessoa pela sua história. Gabriela Leite é autora do livro “Filha, Mãe, Avó e Puta - A História de uma Mulher que decidiu ser Prostituta”, lançado pela editora Objetiva.
Em Brasília, Gabriela pretende implementar a Política do Desejo, das pequenas revoluções e não das grandes. E, no dia da posse, pretende levar a mãe, que completará 80 anos na data, para conhecer a Capital Federal.
Um pouco de Cultura
Dois de julho é o Dia Internacional da Prostituta. A data lembra quando 150 mulheres, com apoio da igreja e dapopulação, ocuparam uma igreja na cidade francesa de Lyon, em 1975, para protestar contra a perseguição policial, cobrança de multas, detenções e assassinatos. O ato terminou em repressão violenta da polícia, mas a coragem daquelas mulheres em apresentar os problemas enfrentados fez com que preconceitos fossem rompidos.